Ortopedista avaliando dor musculoesquelética em paciente sentado em consultório moderno

Falar sobre dor é falar de algo presente na vida de quase todo mundo em algum momento. Como ortopedista, percebo diariamente como as dores afetam a rotina, o sono e, principalmente, a qualidade de vida das pessoas. E essa sensação não escolhe idade, gênero ou profissão. Com o tempo, estudar e tratar essas queixas revelou para mim o quanto é necessário compreender o que está por trás do desconforto, especialmente quando se trata de questões musculoesqueléticas.

Hoje, abordo a diferença entre dor de início súbito e persistente, suas causas, exemplos cotidianos, etapas do diagnóstico e tratamentos disponíveis – tudo a partir da minha experiência na clínica ortopédica e do compromisso em oferecer esclarecimento ao público que busca Dr. Otávio Cadore em Porto Alegre e região.

O que é dor musculoesquelética?

É o incômodo que surge em músculos, articulações, ossos, ligamentos ou tendões. Pode ser leve e passageiro, ou então persistente, profunda e difícil de suportar. Na minha prática, noto que o paciente frequentemente chega com histórias como:

“Passei a sentir dor nas costas após levantar um armário em casa.”

Ou então:

“Minha dor no quadril começou no ano passado e não sumiu mais.”

A medicina define dor musculoesquelética como uma sensação desagradável originada de estruturas do sistema locomotor. Ela abrange desde lesões agudas, como entorses do tornozelo, até quadros crônicos, tipo artrose, dor miofascial e fibromialgia.

É importante saber que nem toda dor é igual: o tempo de duração, a intensidade e a causa determinam se ela é classificada como aguda ou persistente.

Diferença entre dor aguda e dor crônica

Quando um paciente me pergunta “essa dor vai passar?”, sempre tento explicar a diferença:

  • Dor aguda: surge de repente, geralmente relacionada a uma lesão evidente. Costuma durar menos de 3 meses. Um exemplo? Aquela dor forte após torcer o pé ao descer a escada. Seu papel é alertar o corpo para proteger aquela região. Com o tratamento adequado, ela tende a desaparecer.
  • Dor crônica: permanece por tempo prolongado, geralmente mais de 3 a 6 meses. Pode continuar mesmo depois de a lesão inicial já ter cicatrizado. Aparece em condições como artrose de joelho, lombalgia persistente e doenças reumatológicas.

Enquanto a dor aguda atua como um sinal de alarme, a dor crônica pode virar uma doença em si, mudando até o funcionamento dos nervos e do cérebro.

Causas comuns da dor no sistema musculoesquelético

O primeiro passo para tratar a dor é investigar o motivo do sintoma. Abaixo listo algumas das principais fontes, observadas em consultório e reforçadas por dados de pesquisas do Ministério da Saúde:

  • Lesões agudas: entorses, contusões, rupturas de músculos ou tendões, fraturas ósseas causadas por acidentes, quedas ou esportes.
  • Inflamações articulares: sinovites, bursites, tendinites, doenças autoimunes como artrite reumatoide.
  • Doenças degenerativas: artrose (desgaste da cartilagem articular), discopatia degenerativa, osteonecrose.
  • Síndromes dolorosas: fibromialgia, dor miofascial, cefaleias tensionais. Bastante comuns em mulheres de meia-idade.
  • Distúrbios posturais e sobrecarga: má postura crônica, ergonomia inadequada no trabalho, excesso de peso, repetição de movimentos.
  • Sequelas de cirurgias ou traumas antigos: aderências, restrição de movimento, lesão de partes moles.
  • Desordens metabólicas: osteoporose, doenças endócrinas, falta de vitaminas.

Não posso esquecer também da ligação entre problemas musculoesqueléticos e aspectos emocionais. Situações de estresse, ansiedade e depressão elevam a percepção da dor, como já observei em tantas conversas com meus pacientes.

Quando avalio o histórico de alguém, procuro entender os episódios mais marcantes. Uma torção jogando futebol, dor após um esforço além do comum, ou um incômodo que foi piorando com o tempo. Cada detalhe contribui para montar o quebra-cabeça diagnóstico.

Como faço o diagnóstico em consultório?

Nem sempre a dor diz claramente o que está acontecendo. Algumas vezes, o paciente chega sem saber ao certo de onde ela vem. Por isso, realizar um diagnóstico detalhado é indispensável. No meu dia a dia, sigo esta abordagem:

Anamnese: ouvir a história com atenção

Costumo fazer perguntas diretas sobre:

  • Quando a dor começou e se piora com algum movimento?
  • Há fatores que aliviam ou pioram?
  • O incômodo é constante ou aparece eventualmente?
  • Existem doenças associadas, quedas ou cirurgias prévias?
  • A dor limita tarefas simples do cotidiano?

Ouvir e observar o relato é a primeira pista para diferenciar uma dor súbita de uma que já virou rotina.

Exame físico: olhar, tocar, mexer

Depois da conversa, examino o local indicado pelo paciente. Verifico pontos de sensibilidade, inchaço, calor, amplitude de movimento e estabilidade. Testes específicos ajudam a reconhecer lesões ligamentares, sinais inflamatórios ou alterações articulares. Muitas vezes, apenas o exame físico já traz o diagnóstico provável.

Exames de imagem: só quando necessário

Embora radiografias, tomografias ou ressonâncias magnéticas sejam muito úteis, nem sempre são imprescindíveis. Peço exames quando preciso visualizar fraturas, rupturas de tendão ou suspeito de doenças como artrose severa ou osteonecrose. Exames de sangue ajudam a diferenciar inflamações e doenças sistêmicas. Sempre busco individualizar cada caso.

Em situações complexas, posso solicitar ultrassonografia musculoesquelética, útil para visualizar tecidos moles. Tudo depende do contexto e nunca substitui o olhar atento do especialista.

“Ouvir o paciente é, muitas vezes, o primeiro passo para o diagnóstico correto.”

Esse método de avaliação, que sempre utilizo em minha rotina, valoriza a atenção individual, um dos pilares do atendimento em ortopedia.

Tratamentos para dor musculoesquelética: do simples ao avançado

Quando falamos em tratamento, penso sempre em respeitar a individualidade. Nem todo incômodo muscular precisa de remédio forte – e, aliás, menos ainda de cirurgia. O jeito mais seguro de ajudar o paciente começa por ouvir suas necessidades e alinhar expectativas.

Manejo medicamentoso

Dependendo da causa, posso recomendar:

  • Analgésicos comuns (paracetamol, dipirona): na maioria das dores leves ou moderadas.
  • Antiinflamatórios (ibuprofeno, diclofenaco): para quadros inflamatórios, com cuidado em pacientes com problemas gástricos ou renais.
  • Relaxantes musculares: nos casos de contraturas.
  • Opioides: em situações excepcionais, geralmente para dores muito intensas e refratárias, sempre monitorando riscos de efeitos colaterais e dependência.
  • Medicamentos específicos: antidepressivos e anticonvulsivantes podem auxiliar em síndromes dolorosas como fibromialgia.

Lembro que cerca de 30% dos brasileiros que sofrem de dor persistente usam opioides, conforme dados do Ministério da Saúde. Por isso, uso esses recursos apenas quando não há outras opções, preferindo sempre aliviar sem riscos.

Fisioterapia e reabilitação

Grande parte dos pacientes com dor no sistema musculoesquelético melhora muito com rotina adequada de fisioterapia. Os objetivos incluem:

  • Redução de inflamação e dor
  • Recuperação de força e flexibilidade
  • Correção postural
  • Aulas de controle motor, equilíbio, treino funcional

Vejo benefícios tanto na dor aguda (ex: pós-fratura) como na crônica (ex: lombalgia, artrose). Importante sempre personalizar o treino, respeitando limites e prioridades do paciente.

Fisioterapeuta orientando paciente idoso em exercícios para mobilidade articular Infiltrações e abordagens minimamente invasivas

Esse é um recurso que aplico principalmente em casos de dores articulares persistentes, bursites ou tenossinovites. Consiste em injeções locais de corticoides, anestésicos ou ácido hialurônico, visando aliviar inflamação, lubrificar articulações e restaurar movimentos.

Recentemente, estudos discutidos em simpósios, como divulgados pelo Hospital Geral Roberto Santos, reforçam que técnicas minimamente invasivas trazem conforto rápido e facilitam o retorno à rotina.

Cirurgias ortopédicas: quando indicar?

Em minha experiência, a indicação de cirurgia fica reservada para quadros de:

  • Fraturas ósseas graves
  • Lesões ligamentares ou tendíneas extensas e irredutíveis
  • Desgaste articular irreversível (artrose severa)
  • Compressões nervosas, como hérnia de disco resistente a tratamentos conservadores

Quando chego a recomendar procedimento cirúrgico, sempre discuto detalhadamente os riscos, benefícios, expectativa de recuperação, reforçando o acompanhamento pós-operatório. O retorno ao movimento, para mim, é o objetivo principal.

“Mais importante que operar, é garantir que o paciente recupere sua qualidade de vida.”

Importância da individualização do tratamento

Algo que levo muito a sério é tratar cada pessoa de acordo com seu quadro clínico, preferências e rotina. Idosos com artrose necessitam de cuidados distintos de atletas lesionados. Uma pessoa jovem com dor lombar não recebe o mesmo manejo de um adulto com dor crônica pós-trauma. A escolha dos métodos (medicação, fisioterapia, infiltração ou cirurgia) precisa ser personalizada.

O acompanhamento frequente, escutando como o paciente se sente e reavaliando os resultados, é parte do meu método diário de cuidado.

Prevenção: como evitar dor musculoesquelética no dia a dia?

Prevenir é sempre melhor do que remediar. Considerando o aumento do sedentarismo e da má postura no cotidiano moderno, destaco alguns hábitos preventivos:

  • Praticar atividade física regularmente, fortalecendo músculos e protegendo articulações
  • Cuidar da ergonomia no trabalho, principalmente para quem fica muitas horas ao computador
  • Evitar sobrepeso, já que o excesso de carga prejudica ossos e articulações
  • Fazer pausas frequentes e alongamentos durante o expediente
  • Ter atenção ao carregar sacolas pesadas ou realizar serviços domésticos em desconforto
  • Manter alimentação equilibrada e hidratação adequada
  • Não ignorar sinais iniciais de desconforto – quanto antes tratar, menores as chances de cronificação

Incentivo meus pacientes a adotarem também rotinas de autocuidado, como aprendem lendo conteúdos em artigos sobre saúde e bem-estar. A combinação dessas atitudes já foi responsável por evitar diversas recaídas na clínica.

Quando procurar um especialista?

Muitas pessoas demoram a buscar ajuda, esperando que a dor desapareça sozinha. Algumas até se automedicam e só procuram atendimento depois de meses sofrendo. Na minha experiência, recomendo procurar avaliação ortopédica nas circunstâncias abaixo:

  • Dor intensa que não melhora após alguns dias com repouso
  • Limitação de movimento ou dificuldade para realizar tarefas simples
  • Inchaço, vermelhidão, calor local e sintomas de febre
  • Sinais de perda de força, formigamentos, dormências
  • Histórico de trauma importante ou quedas
  • Persistência do sintoma por mais de 2 a 4 semanas

Cedo ou tarde, a busca pelo cuidado especializado evita complicações e acelera a recuperação. Desse modo, friso sempre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para garantir maior conforto, mobilidade e independência ao longo dos anos.

Impacto da dor crônica na rotina

Quando a dor se instala de maneira constante, vejo um impacto gigantesco no sono, no humor, na disposição para o trabalho e nas relações familiares. Diversos estudos, como simpósios dedicados ao tema, mostram a necessidade de manejar fatores emocionais relacionados à queixa. Em muitos casos, sugiro abordagem multiprofissional, incorporando fisioterapia, psicologia e acompanhamento médico. Isso evita que sintomas, como depressão, insônia e perda de autonomia, tomem conta da vida do paciente.

Importância do acompanhamento contínuo

Já vi casos em que o alívio inicial foi apenas temporário, por falta de revisão adequada. Por isso, enfatizo a necessidade de reavaliar periodicamente. É nesse acompanhamento que identifico eventuais sinais de agravamento, ajusto condutas e ensino estratégias para evitar recaídas. Quem já passou por cirurgias ou traumas deve reforçar o acompanhamento, a exemplo das orientações disponíveis na categoria de mobilidade.

Orientações práticas e educação do paciente

A informação é poderosa. Pacientes que entendem sua condição aderem melhor ao tratamento, sentem-se menos ansiosos e participam ativamente da própria recuperação. Utilizo conteúdos como os do Post Exemplo 1 no blog para compartilhar dicas, novidades e estudos clínicos relevantes sobre ortopedia, dores e reabilitação.

Educar é parte do compromisso de quem atua com medicina de qualidade e cuidado humanizado, reafirmando os valores do projeto Dr. Otávio Cadore.

Considerações finais: caminho para uma vida sem dor

Refletindo sobre todos esses pontos, reforço que a dor musculoesquelética é uma realidade muito frequente e que merece atenção desde os primeiros sinais. Saber distinguir entre um episódio passageiro e um quadro persistente pode fazer toda diferença no sucesso do tratamento e no retorno à vida ativa.

Se você convive com desconforto nas juntas, músculos ou ossos, não hesite em buscar ajuda profissional. Agir cedo evita complicações, diminui o sofrimento e melhora previsão de recuperação. Se identificou algum dos sintomas que citei, marque sua avaliação com uma equipe comprometida com o cuidado, como preconizado pelo projeto Dr. Otávio Cadore.

Quero convidar você a conhecer melhor nossos conteúdos, opções de tratamento e dicas para saúde e mobilidade. Venha cuidar da sua qualidade de vida e retomar sem medo as atividades do dia a dia.

Perguntas frequentes sobre dor musculoesquelética

O que é dor musculoesquelética crônica?

Dor musculoesquelética crônica é aquela que persiste por mais de três a seis meses, podendo durar anos e impactar a função dos músculos, ossos e articulações. Ela geralmente não é mais um sinal de alerta de lesão aguda; passa a ser um problema autônomo, capaz de alterar o funcionamento dos nervos e dificultar o controle com métodos convencionais. Requer abordagem ampla, combinando reabilitação, orientações posturais e, em alguns casos, manejo medicamentoso ou intervencionista.

Quais são as principais causas da dor músculo-esquelética?

As causas incluem traumas (quedas, entorses, contusões), inflamações articulares (artrites, tendinites, bursites), doenças degenerativas (artrose), síndromes dolorosas (fibromialgia, dor miofascial), má postura, sobrecarga repetitiva e doenças metabólicas como osteoporose. O diagnóstico correto depende de avaliação clínica, exames e histórico detalhado.

Como tratar dor musculoesquelética aguda?

O tratamento inicial envolve repouso relativo, uso de gelo, medicação analgésica ou anti-inflamatória prescrita, fisioterapia precoce para evitar rigidez e, nos casos relevantes, imobilização temporária ou ajustes de atividades. Se não houver melhora em poucos dias ou se houver agravamento de sintomas, é fundamental procurar atendimento especializado para investigação detalhada.

Quando devo procurar um médico para dor?

Deve-se buscar avaliação quando a dor é intensa, limita movimentos, persiste por mais de duas a quatro semanas, aparece acompanhada de sinais de inflamação severa (inchaço, calor, rubor), provoca perda de força ou dormência, ou ocorre após traumas significativos. Lesões antigas ou dor recorrente também merecem atenção, pois podem indicar condições crônicas que exigem acompanhamento.

Dor crônica tem cura ou só controle?

Em muitos casos, o objetivo é controlar e reduzir ao máximo a dor crônica, promovendo funcionalidade e boa qualidade de vida. Algumas situações podem ter remissão parcial ou total dos sintomas, especialmente quando tratadas precocemente com abordagem multidisciplinar, mas outras necessitam de acompanhamento contínuo e ajustes terapêuticos para prevenir piora e recidivas.

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Dr. Otávio Cadore

Sobre o Autor

Dr. Otávio Cadore

Dr. Otávio Cadore é ortopedista, traumatologista e cirurgião de quadril em Porto Alegre. Dedica-se ao diagnóstico, tratamento e recuperação de pacientes com dores, lesões e limitações ortopédicas. Conhecido pela atenção aos detalhes e cuidado humanizado, Dr. Otávio é referência no manejo clínico e cirúrgico das mais diversas condições ortopédicas, proporcionando alívio, mobilidade e melhor qualidade de vida a pessoas de todas as idades.

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